sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Calypsooo


No Twitter...

Primeiro post do ano.. e que venham muitos.  No trends topic de hoje por horas ficaram Joelma e Mariana Ximenes. Tudo por conta da especulação de que a atriz viveria a vocalista da Banda Calypso no longa que será rodado ainda esse ano. Me espantei com o que vi escrito por aí:



"Entendo as piadinhas e até a revolta de algumas pessoas por conta do filme da Banda Calypso. Afinal a banda não é descolada, moderna...não tem um repertório inspirado em bandinhas inddie, nem rockizinho de  playground. Não é hype, não é global.

O que? Uma banda do Norte, com uma coreografia e roupa estranhas,  e um repertório brega TER UM FILME? ....realmente  algo muito grotesco pra forma de cultura evoluída que temos no Brasil, né?"

Em totais sublinhas, foi isso que pôde ser enxergado pelos twitts de hoje. Que vergonha. Houve até quem dissesse que o Brasil não tem cultura. O que mais me espanta é que esses clichês ainda sejam ditos (em massa), e mais. Que realmente algumas pessoas pensem assim! O que é a cultura brasileira? Tom, Chico e Elis? Claro que sim, e que bom que a diversidade cultural do Brasil abarca talentos de tirmos como a MPB, rock e pop, o maracatu, o tecno-brega e uma gama enorme de sensações ritmicas e sonoras.

Vamos abrir os olhos e ouvidos, minha gente. Ou vocês pensam mesmo que cultura é só o que se vê na Globo?

Mas ó, se discordarem do texto e acharem mesmo que cultura é o que a grande mídia prega e vende, aproveitem pra gastar energia com outras coisas: vão protestar contra Belo Monte, violência doméstica, trabalho escravo. Quem sabe um trabalho voluntário numa biblioteca pública, hein?

Enfim. Bora lá ouvir um brega melody ou um Xirley Xarque, meu Brasil.

ps: Um beijo pra Joelma e pro Chimbinha. E pra Mariana Ximenes, que ela cause muito no "cavalo manco".

Marcos Corrêa

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Coral de rua

Gravar um reality show com 26 pessoas que você nunca viu na vida. Humildes, com histórias fortes e chocantes e um cotidiano pesado, difícil. Pessoas que ninguém enxerga, mas que tomam calçadas de cidades em todo Brasil.

Não vistos ou mal vistos por todos, sempre rejeitados. São moradores de rua, pessoas de origem humilde e na maioria das vezes problemática. Imagine acompanhar o cotidiano de um grupo desses por duas semanas, enquanto se preparam pra um evento grandioso, em um teatro.

Como se comportam na rotina de ensaios? Como se dá a convivência em grupo? O que contam sobre o passado na rua e no que mudou a postura em relação ao mundo depois do projeto?

O espetáculo, a apresentação foi hoje, e independente do que aconteceu no teatro.... a vida de quem conviveu com essas pessoas e suas respectivas histórias e realidades, não é mais a mesma. Não há como não ver no rosto de cada um o olhar de esperança, de mudança, de alegria, realização. Acredito que mesmo para os que menos tinham vontade de conquistar, hoje viram que podem sim, ter uma vida diferente. Construir um novo caminho a cada dia é o desafio pra eles, e nesse quesito nós nos igualamos bem a eles, os moradores de rua. Porque quanto mais de perto você vê as pessoas, mais percebe o quanto se igualam.

E mais, a dor no peito e as lágrimas que escorrem, caem da mesma maneira, seja qual for a condição social. Obrigado a todos que participaram do projeto e transformaram a vida dessas pessoas.

Marcos Corrêa

domingo, 16 de outubro de 2011

Cultura Paraense

1. Tecnobrega: consciência e aceitação

Era uma vez uma civilização denominada indígena. Moravam na selva e dela extraíam alimentos e todo o necessário para sobreviver. Politeístas, criam e mantinham hábitos em equilíbrio com a natureza e possuíam uma rica e peculiar cultura.  Esses povos assistiram a chegada dos Europeus, brancos e católicos vindos em busca de terras e pessoas a conquistar; europeus trouxeram homens de pele negra para escravizá-los. Por anos, anos e anos o branco, rico e colonizador castigou negros e indígenas, proibindo que estes manifestassem suas crenças, suas musicas e danças.

                Balé da Amazônia: traços e trajes da cultura indígena revividos em dança

Hoje no século XXI se vive avidamente o processo que podemos denominar como contra-colonização cultural; o termo que parece pomposo conceitua a grande aceitação de formas de cultura antes renegadas ou vistas como marginalizadas pela população brasileira em geral. Visão herdada de um olhar estrangeiro, preconceituoso e elitista, que se baseava em pensamentos que menosprezavam traços culturais de civilizações marcadas pela resistência e riqueza cultural.

Antes os aspectos culturais de determinadas regiões brasileiras possuíam espaço na mídia como o de uma cultura de exotismo, que choca e tem lugar reservado (e restringido) ao local de origem. Hoje, inúmeras reportagens, matérias, pesquisas e eventos multiplicam a ideia de que “Belém está na moda”. O mais interessante desse fato é perceber que trata-se de um processo maior. Não é somente Belém ou a região amazônica que estão na moda. Os olhos críticos e ouvidos afinados do alto escalão da critica cultural brasileira tem dado atenção a formas de manifestação cultural antes marginalizadas e alijadas.

                "Gang do eletro" traz a batida do tecnobrega a cena musical nacional

Não somente Belém tem encurtado fronteiras; maracatu e afoxé pernambucanos e ritmos nordestinos em geral hoje também estão presentes no universo dos meios de comunicação; e o que mais importa: essas manifestações hoje são vistas como parte de uma só cultura, estão no imaginário da população brasileira. Vivemos o que parece um processo de aproximação de mundos antes distantes; o Norte não é um aparte no mapa, mas parte. A derrubada ou ao menos encurtamento de fronteiras não é somente um slogan das companhias telefônicas, é fato.

                 Gaby Amarantos em show no Estudio SP. Encurtando as fronteiras

A identidade cultural brasileira parece cada vez mais ter consistência e aceitação das diversas heranças que compõem o repertório cultural do país. Passo importante para maturidade de uma cultura que não sobrevive sem a pura aceitação de uma imensa teia de estilos, gostos, manifestações. 

 por: Marcos Corrêa







domingo, 29 de maio de 2011

Legalizar ou não?

Na semana passada uma marcha pela legalização da maconha reuniu cerca de 700 pessoas pelas ruas de São Paulo. Jovens com dedos em riste, vozes em coro, cartazes e o grito para legalizar o consumo da droga mais comum não somente entre jovens, mas também entre pessoas mais velhas.

O comportamento da Polícia Militar (veja o video aqui) traz indignação. Agredir pessoas que protestam e tomam as ruas por defender uma ideia é um fato que só não é julgado como merece por termos no Brasil um sistema de Governo debilitado, controlador e por vezes anti democrático. Afinal, a liberdade de expressão inúmeras vezes é facilmente esquecida por governantes que ordenam atitudes que beiram a selvageria.
 De um lado jovens com mãos para o alto: gritos de guerra...

Do outro, a Polícia com armas, sprays, bombas. Tentativa de controle nada pacífica.  

Mas passado o choque por conta da atitude da policia, nossos olhos devem se voltar para um debate mais amplo: por que não legalizar a droga que é menos prejudicial que o álcool, por exemplo? Em todas as pesquisas o alcoolismo aparece sempre no topo como causador de acidentes de trânsito. O cigarro - cada vez mais comum entre jovens - traz ao organismo malefícios conhecidos por todos e ainda assim em qualquer  banca de revista por alguns reais você consegue encher os pulmões de nicotina. Sem dificuldades, sem problemas com a polícia.

Legalizar a maconha seria um passo de ousadia e demonstração de maturidade que talvez a lei brasileira ainda não possua. Nem a lei, nem as pessoas que a fazem: aqueles, eleitos por nós para decidir os rumos da sociedade, e governar "pelo bem geral da nação".


Saiba mais sobre os efeitos da maconha e quem idealizou a marcha pela legalização.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Nostalgia

Ah, os anos 60...
Eu com dor-de-cotovelo
(e muito mais cabelo)
ouvindo a Cely Campello
tomando uma Cuba com gelo
e pensando como eram bons os meus 50
quando se tinha a lembrança distina
que bons mesmo foram os anos 40
embora menos, claro, do que os 30.
Hoje não consigo pensar assim
por mais que tente.
Ah, como eu era nostálgico 
antigamente.... 



Luis Fernando Veríssimo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

35 anos de uma Comunicação Social no Pará

Orla da Universidade Federal do Pará.


Pra quem passou pela Universidade Federal do Pará (especialmente pelo curso de Comunicação Social) sempre sente aquela nostalgia dos tempos de estudante. Ver que o curso de Comunicação comemora 35 anos é também  se sentir participante desta festa. Mesmo sem desenvolver qualquer atividade atual ligada à U.F.PA. atualmente. 

Entrei na U.FPA. no ano de 2005. Eu e minha turma vimos o laboratório de Comunicação reformado, com novos equipamentos e os professores com um novo gás para o ensino das disciplinas laboratoriais e de teoria. Não só as aulas, mas a vivência na Universidade fornecem um leque de experimentação e conhecimento que se leva para a vida toda: aulas na Beira do Rio, as primeiras experiências profissionais, o antológico forró em que alunos da Universidade se confundem com moradores do bairro do Guamá. Além da formação profissional a U.F.PA. teve o peso da formação política. Como não recordar das greves, tomada da reitoria por protestos, passeatas, marchas. Momentos de efervescência política e de reivindicação do direito de voz, direito de decidir  que rumo tomar.


Ver também consquistas como a implantação do Mestrado em Comunicação, é se deparar com o amadurecimento acadêmico do curso que tem a fervorosa missão de ser "formador e produtor de um pensamento crítico sobre a comunicação na Amazônia", usando o pensamento de Rosaly Brito. Essa que é Mestra de turmas e turmas do curso de Comunicação e por quem tenho particularmente tenho um carinho especial (e foi minha orientadora de Trabalho de Conclusão de Curso).


Prosperidade, maturidade acadêmica e vida longa ao curso de Comunicação Social e aos participantes desse universo.  


Parabéns!






Texto: Marcos Corrêa



Conheça a história do curso de Comunicação Social, no blog do professor Fábio Castro.  

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Casamento real


Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. O nome pomposo abriga o regime de governo de Monarquia Constitucional vigente desde o século V. Formado por Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda do Norte, é uma das nações mais ricas do Planeta. Possui agricultura altamente mecanizada, reservas de carvão, gás natural e petróleo. Sua moeda própria (libras esterlinas) domina a área de serviços com bancos e seguros para empresas. 

Além do lado econômico, a Monarquia Inglesa é historicamente uma potência política. E a mais antiga instituição de governo no Reino Unido. Exemplo da força do regime demonstrada no rompimento com a própria igreja Católica no século XVI. O motivo foi a não permissão de divórcio ao rei Henrique VIII. Depois deste, acontece o reinado de Elizabeth I, conhecido como o período Elisabetano que configurou a Idade do Ouro da história inglesa:  a fundação do Império Britânico e a crescente produção artística abrindo espaço para artistas como William Shakespeare.

Hoje, séculos depois dos governos de Henrique VIII e Elizabeth I, vemos o casamento de um príncipe acontecer com toda pompa, circunstância e excessiva cobertura midiática. O próprio regime monárquico se modificou: a noiva por ter vivido 5 anos com o príncipe não se submetará ao exame de castidade. Como William e Kate Middelton moraram juntos 5 anos na Universidade em que ambos estudavam, a rainha Elizabeth II alegou que esse exame é ultrapassado e livrou a noiva de maiores constrangimentos. Tudo para não macular a imagem desse momento histórico, que para o advogado Francisco Bilac, se configura como um espetáculo de culto à tradição: 


O culto à Coroa é intrinsecamente um culto ao tradicional, ao que não se modifica, ao que seja perene, ao que seja intocável, ao que, menos hoje do que antes, seja de
inspiração divina. Daí a necessidade de se valorizar a perenidade das instituições e não ignorar totalmente o que seus antepassados lutaram tanto para conquistar. 

Entende-se perfeitamente a construção do espetáculo por parte da família real. O que chama atenção é a excessiva cobertura da imprensa. Tem-se visto manchetes como: quem vai fazer o bolo do casamento real, conheça a universidade que o príncipe e a noiva se conheceram ou casamento real vira peças de brinquedo. Esses são apenas alguns dos inúmeros anúncios que surgiram na internet desde que foi publicada a primeira nota sobre o casamento. Existe até um vídeo feito para a noiva Kate Middleton que foi noticiado.




O fato é que a Inglaterra é uma grande potência há séculos e essa ocasião merece repercussão em cenário internacional. Porém, tudo na dosagem exata. Aliás, a imprensa parece estar errando demasiadamente a mão quando se trata de dosagem das coberturas de grandes temas. Quando se trata de tsunami, são exagerados; massacre no Rio de Janeiro, taxativos; no casamento real, extremamente verborrágicos. 

Se fosse a cobertura de grandes temas fosse a feitura de um bolo, diria que os ingredientes estão em excesso e a maneira de fazer está ultrapassada. Há tempos. 



Texto: Marcos Corrêa